Gabriel Silva

Espiritualidade Dominicana

In Espiritualidade on 30/11/2005 at 11:04

Seguir Jesus nos passos de Domingos

por Frei Betto

Pe. Schillebeecks, num artigo sobre a espiritualidade dominicana, diz que, a respeito dela, “não se pode dar uma definição global“. Pois “não se pode pronunciar um julgamento final sobre uma história se ela ainda está sendo narrada com todo vigor“.

E nos espelhamos no seu testemunho quanto ao seguimento de Jesus. Isso significa que a espiritualidade dominicana está sendo forjada ainda hoje por todos nós, cristãos, que buscamos inspiração no carisma de Domingos de Gusmão e nos espelhamos no seu testemunho quanto ao seguimento de Jesus. Ao nos referir a esta espiritualidade, evocamos símbolos e ritos que a caracterizaram em épocas passadas, como a devoção a Maria através do rosário. Não se trata de repudiar o passado, mas de saber actualizar nossas devoções e métodos de oração e de acção.

A rigor, temos um único paradigma de espiritualidade: Jesus de Nazaré. Porém, como ele próprio diz no Evangelho de Mateus, “a Sabedoria é justificada por suas obras” (Mt. 11, 19). Há diferentes maneiras de realizar o projecto de Deus em nossas vidas e na história. João Baptista habitava o deserto, vestia-se com pele de camelo e se alimentava de gafanhotos e mel. Jesus percorria aldeias e cidades, era tido como glutão e beberrão e frequentava a mesa de publicanos e pecadores.

É obra do Espírito de Deus a diversidade de carismas na Igreja, lembra Paulo. O seguimento de Jesus, devido à disparidade de mentalidades e de épocas, difere em Agostinho e Bento, Teresa de Ávila e Catarina de Sena, Vicente de Paulo e Martinho de Lima. Diferirá também de uma cultura, de um século e de um país para outro.

Domingos reatualiza a Igreja

Um dos aspectos importantes para se entender a Ordem dos Pregadores e sua espiritualidade é, segundo o Pe. Chenu, o contexto medieval. No século 12, o sistema feudal começou a ruir pela emergência de uma economia de mercado. A circulação de mercadorias e dinheiro provocou a mobilidade de pessoas. Surgiram os artesãos, as corporações e as manufacturas. Iniciou-se o processo de acumulação de riquezas – os burgueses, cuja riqueza contradizia os conselhos evangélicos. Passou-se do feudo à cidade; do senhor ao capital; da terra ao dinheiro. Entrou-se na era da urbanização.

Na época de Domingos – século 12 e 13 – a Igreja estava intimamente atrelada ao sistema feudal, o clero tinha pouca formação teológica e espiritual, e a pregação dependia de licença eclesiástica. Em reacção a isso surgiram os movimentos considerados heréticos, centrados numa espiritualidade de profunda devoção à humanidade de Jesus e de imitação da vida dos Apóstolos, como crítica ao clericalismo feudal. Foi esse contexto que levou Francisco de Assis a não se fazer sacerdote e Domingos a rejeitar o episcopado.

Enquanto os Cirtensienses e os Beneditinos permaneciam ligados a uma economia rural, os Dominicanos buscavam a porta de Saint Jaques em Paris. Eram frades= irmãos. O superior já não era o abade, era o irmão prior. Por seu preparo, muitos frades participaram da emancipação das cidades, redigindo suas novas constituições e aconselhando seus governantes. “O que diz respeito a todos deve ser tratado por todos” – axioma do direito romano tão caro à Ordem. Não mais a relação vertical na comunidade, mas horizontal. Enquanto alguns ainda sonhavam com a cavalaria, Dominicanos e Franciscanos fundavam escolas de árabe. Nosso evangelismo inspira-se na comunidade dos Actos dos Apóstolos. Por isso, as Constituições de Domingos não obrigam sob pena de pecado, ao contrário da Regra de São Bento. Nas constituições de uma confraria leiga de Bolonha, escrita pouco após a morte de Domingos, se diz que é mais agradável a Deus ser servido por um amor livre do que por um serviço obrigatório. A pobreza trocava seu carácter ascético pelo apostólico.

Domingos, fiel à vocação que o Senhor lhe deu, pode ter aparecido infiel aos modelos de espiritualidade então vigentes. Não se conformou com a estrutura de uma Igreja encastelada em seus feudos, cujas abadias e mosteiros estavam mais próximos do estilo de vida dos nobres que do exemplo dos Apóstolos. Nem adoptou a estrutura hierática e hierárquica, centralizada, das comunidades monásticas. Preferiu recusar títulos e promoções clericais e governar suas comunidades pelo regime democrático. Schillebeecks considera que a democracia dominicana foi a semente que, no século 20, resultaria no fruto da colegialidade episcopal na Igreja.

Domingos revolucionou a vida religiosa ao renunciar à estabilidade económica e propor um modelo de comunidade que minava as bases feudais da Igreja e da sociedade. Sobretudo, lançou a proposta de uma comunidade de irmãos e irmãs que, consagrados à Igreja, anunciam a palavra de Deus por uma pregação embaçada teologicamente e por um testemunho que os aproxima da vida dos pobres.

 

Seguir Jesus nos passos de Domingos

Abraçam a espiritualidade dominicana todos nós – frades, monjas e leigos – que encontramos, em Domingos, inspiração para o nosso modo de seguir Jesus.

O Vaticano II, ao tratar da Vida Religiosa (n. 2), sublinha que “seguir a Jesus é a norma suprema de qualquer tipo de vida religiosa”. Schillebeecks lembra, então, que a espiritualidade dominicana não pode ser considerada “norma absoluta”. “A espiritualidade dominicana – diz ele – é valida como uma modalidade particular da missão da Igreja: seguir Jesus. Para nós, isso significa: seguir os passos inspirados de Domingos”. E acrescenta o teólogo flamengo: “Quando, por exemplo, a Inquisição entregou Joana D’Arc para ser queimada, os Dominicanos que participaram disso estavam essencialmente em contradição com a inspiração de Domingos. Tínhamos nos tornado surdos e cegos ao desenvolvimento dos novos carismas: uma atitude de vida essencialmente não-dominicana“.

Schillebeecks chama a atenção para um detalhe importante: “a espiritualidade dominicana é determinada, também, exactamente através da nossa actualização ‘aqui e agora’ em nosso tempo. A espiritualidade dominicana não diz apenas como tudo era ‘no início’ da história da Ordem. (…) A espiritualidade dominicana é uma realidade viva que devemos realizar agora. Se não fizermos isso, estaremos simplesmente repetindo uma história que outros narraram anos atrás, como se nós mesmos não tivéssemos nenhum capítulo a acrescentar numa narrativa iniciada antes de nós“.

O fundador dos Irmãos Pregadores buscou uma alternativa entre as tendências extremas daqueles movimentos “heréticos” – que se transformaram em seitas fora da comunhão eclesial ou eram absorvidos pelas estruturas eclesiásticas, como os monges Premonstratenses. Por isso, lançou o projecto de um movimento evangelizador que, ao mesmo tempo, renovasse a estrutura eclesiástica e a vida eclesial. Os Dominicanos seriam uma comunidade apostólica organizada em forma democrática, comprometida com o seguimento de Jesus, livres de estatutos monárquicos, fora de estruturas feudais, dedicados a uma pregação itinerante e consagrados a uma vida sem quebra de unidade entre contemplação e acção.

Assim como Jesus inovou em relação a seu primo João Baptista, a ponto de parecer contradizê-lo, Domingos subverteu o estilo de vida religiosa tradicional da Idade Média. Resta-nos, agora, saber também actualizar a Palavra de Deus, para que ela não seja um ícone estéril pregado na parede de nossos equívocos fundamentalistas. É preciso que seja “fermento na massa”, nesse mundo às vésperas do século 21 e do terceiro Milénio. No artigo A Ordem de São Domingos ainda tem chance?, Chenu conclui: “A chance da Ordem é a própria actualidade da Igreja“. E, para nós da América Latina, a actualidade da Igreja é marcada pela interpelação da miséria colectiva. Como falar de Deus entre tantos que sofrem e morrem injustamente? Eis a questão fundamental da teologia da libertação.

Como unir e articular libertação e contemplação?” pergunta frei Carlos Josaphat Pinto de Oliveira em sua magnífica obra Contemplação e Libertação, na qual faz um paralelo entre as espiritualidades de Tomás de Aquino, João da Cruz e Bartolomeu de Las Casas. Segundo o autor, “Las Casas prega o amor que é fonte de luz, que dá o verdadeiro sentido à vida, que traz o gosto e a alegria de viver. Mas há de ser à custa do dom de si mesmo.

Pois que o Deus que se revela à nossa contemplação está presente e se faz mesmo acessível é no pobre, no necessitado, no desvalido. Ele encarnou-se, e se encarna, para nos dar a oportunidade de poder encontrá-lo e servi-lo de verdade. Na sua Glória, Ele não precisa de ninguém. Ele conta connosco é para alimentar o faminto, visitar o preso, estar ao lado dos sem- terra, sem-tecto, sem voz e sem vez” (p. 147).

 

Características da espiritualidade dominicana.

O espírito crítico é uma das notas mais relevantes da espiritualidade dominicana. Devemos saber manter um pé no que há de saudável na tradição e, outro, na renovação profética. Schillebeecks lembra que as Constituições dos anos 1221-1231 ordenavam: “Os nossos confrades não podem estudar os livros dos escritores pagãos (leia-se Aristóteles) e dos filósofos (entenda-se a filosofia árabe e o ‘modernismo‘ da Idade Média), nem é permitido estudar as ciências seculares”. No entanto, Alberto Magno e Tomás de Aquino iriam contradizer essa norma em base e em nome da espiritualidade dominicana.

Nossa espiritualidade tem por característica a exigência de expressar nossa vida interior. “Falar com Deus e de Deus” – eis um dos nossos lemas cunhados por Domingos. Ora, numa sociedade secularizada e plural, não se pode pregar sem estar atento às normas do diálogo. Jamais a pregação dominicana foi impositiva, autoritária, prepotente. Se o foi, não era verdadeiramente dominicana. Domingos aprendeu a dominar os dialectos do sul da França e da Toscana visando, justamente entender e fazer-se entender pelo povo simples que se deixava seduzir pela pregação dos movimentos considerados heréticos. Hoje, não se pode fazer entender quem usa uma linguajem própria a um mundo que já passou. Captar a linguagem dos excluídos e dos que detêm o poder de decisão sobre a colectividade é um desafio à nossa pregação.

Para tanto, é preciso aprender a escutar – Deus e o povo. O que requer o habito da oração, que esvazia nossa mente de impulsos pretenciosos e nosso coração de apegos egocêntricos. O Pe. Vicaire ressalta que “sobretudo na solidão nocturna da capela ele (Domingos) se abandonava totalmente à sua vocação à oração. Tinha então o costume de aí passar a noite, a ponto de, em Bolonha, não dispor de cela ou de cama pessoal“. Falar de Deus a partir da contemplação e não apenas das pesquisas teológicas. Contemplata aliis tradere significa harmonia entre o que se prega e o que se vive, e capacidade de partilhar com os outros os frutos de nossa oração. São Tomás relaciona o silêncio com as virtudes da temperança e da prudência. Fazer silêncio é saber recuar diante do ruído do mundo. É calar-se para deixar que Deus fale. É saber ouvir o outro. É não considerar que a minha deve ser a última palavra. Na espiritualidade dominicana o silêncio visa criar o clima propício à oração e ao estudo. Assim, podemos ter, como São Domingos, uma relação dialógica com os outros, com a natureza e com Deus.

Josaphat conclui seu livro assinalando que “Antes de mais nada, a todos aqueles que aspiram à contemplação e buscam os seus caminhos, os guias espirituais cristãos responderão sem rigidez mas também sem subterfúgios: a contemplação-libertação evangélica é uma obra da verdade. Ela começa pela convicção de fé que um dom nos é realmente feito, para que nossa vida mude efectivamente. A mística cristã é o país do realismo. Ela se enraíza na realidade de um Amor que transforma o “coração”, não somente como sede de bons sentimentos, mas como capacidade de decisão, de opção, de querer modificar as coisas, condições e situações no sentido do bem e em conformidade com o bem. Trata-se de mudar o ser humano na sua totalidade, indivíduo e sociedade, de acordo com o que se descobre como exigências do Amor, se manifestando na misericórdia e na cruz de Cristo” (p. 158).

Desafios atuais à espiritualidade dominicana

O Capítulo de Caleruega (1995) sublinha, ao tratar de nossa pregação dominicana, a importância do diálogo interreligioso. Devemos saber encarar com seriedade “as grandes religiões do mundo, sem excluir as crenças e práticas dos indígenas da África, da Ásia e da América, incluindo a busca religiosa implícita no pensamento niilista e em toda a cultura pós-cristã. Alguns desses aspectos são profundamente negativos, enquanto outros pertencem, em sentido pleno, à sabedoria que vem de Deus. Devemos saber discernir esta diferença e perceber como Deus nos fala através de outras culturas e tradições” (20.2). Em outras palavras, o Capítulo faz eco à exigência de inculturação tão acentuada pela Igreja latino-americana nos últimos anos.

Diante da globalização neoliberal, o Capítulo nos coloca a denunciar “o estrago feito por essa dedicação das forças do mercado… como se as leis da oferta e da procura representassem uma realidade indiscutível da lei divina” (20.5). Para Caleruega, três aspectos devem marcar hoje a presença dominicana:

l) A pobreza e a pregação em áreas de fronteira, como a de Justiça e Paz;

2) A itinerância, na disponibilidade de serviço;

3) O diálogo, na tolerância e na capacidade de apreender o outro e o diferente como portadores de verdade.

Na linha de Alberto Magno, o dominicano procura a verdade lá onde ela se encontra, ainda que não esteja revestida de religiosidade. Foi este professor de São Tomás, nascido em 1193, que nos ensinou a aceitar o tratamento racional dos fenómenos naturais. Contra todos os preconceitos, descobriu Aristóteles, o materialista grego, como fonte de uma teologia que, além do dualismo platónico, resgatava a positividade do mundo e a separação entre fé e ciência.

Alberto, na linha de Dionísio, o Areopagita, ensina-nos que, ao orar, devemos fechar a porta, ou seja, a porta dos sentidos, para que a nossa mente liberte-se de toda fantasia e imagem. Não atingimos a contemplação através de pensamentos e imaginações, e sim de um coração puro e uma mente liberta de preocupações e ansiedades. Catarina de Sena (sec. 14), ouvia Jesus dizer: “Contempla-me no fundo do seu coração”. Essa volta à subjectividade é uma das características da religiosidade emergente na onda esotérica que assola o Planeta. O desafio é vivê-la como fonte da práxis libertadora.

Mestre Eckhart (+1260) induz-nos numa espiritualidade holística avant la lettre, pois rompe os limites da escolástica, o que lhe valeu a acusação de panteista. “Deus está mais perto de mim do que eu mesmo. Assim também está perto da madeira e da pedra. Só que elas não sabem.” É a visão dominicana que resgata a sacralidade do mundo como morada de Deus. Sua espiritualidade é intuitiva, diferente das demonstrações e analogias de Tomás de Aquino.

Eckart pregava em língua vulgar. Como Domingos, queria se fazer entender pelo povo. Acusado de heresia, morreu antes de que fosse pronunciada a sentença condenatória. Simone Weil dirá sobre ele: “Quantos autênticos amigos de Deus, como o foi, a meu ver, Mestre Eckart, repetem as palavras que escutaram em segredo, em meio ao silêncio, durante a união de amor, e estão em desacordo com os ensinamentos da Igreja, é simplesmente porque a linguajem da praça pública não coincide com a do leito nupcial”.

Eckart dizia: “Deus está muito perto de nós e nós, muito longe Dele. Ele habita o centro de nossa alma e nós, a superfície. É nosso parente e, no entanto, o tratamos como a um estranho”. O que ele queria nos ensinar é que Deus não pode ser tratado como objecto – de nossos estudos, de nossas intenções, de nossa linguajem. Tem que ser o nosso eu mais profundo. Parafraseando Tomás de Aquino, ao ir ao encontro de si mesmo, encontramos em nosso íntimo um Outro que não sou eu e que, no entanto, funda minha verdadeira identidade.

Essa espiritualidade se alcança através de uma vida espiritual fundada na humildade, na pobreza interior e no desapego como meios de nos libertar do que é sensível. Para Eckart, o que Deus faz em nosso espírito “é semelhante à obra do artista que tira uma figura da madeira ou no mármore; não introduz a imagem na madeira, apenas recorta e retira as lascas que ocultavam ou recobriam sua figura: não dá nada à madeira, senão que lhe tira algo, escava em sua espessura, elimina o supérfluo, até brilhar à luz o que estava oculto embaixo”. Sua espiritualidade é a da gratuidade, de uma ética desinteressada, sem o legalismo baseado em leis e recompensas. O justo não é um imitador do Cristo, mas um outro Cristo, pois Deus atua nele como actuava em seu Filho.

Tomás de Aquino (+1275) dirá: “Deus está em nós como está em toda coisa criada. Nós lhe pertencemos mais do que a nós mesmos. Seria melhor dizer que Deus nos contém do que dizer que temos Deus dentro de nós”.

Em resumo, a espiritualidade dominicana implica:

1)Seguimento de Jesus, inclusive na confiança absoluta no pai e na comunhão com os pobres e pecadores;

2)Vida apostólica comunitária, centrada na oração, no estudo e na pregação. Ter presente o que dizia Humberto de Romans: “O estudo não é a meta da Ordem, mas uma ferramenta essencial para essa meta”;

3) Sensibilidade ao novo, atenção aos sinais dos tempos, abertura a novos carismas. Como diz o Pe. Schillebeecks, manter estruturas democráticas e flexíveis, que “não fecham as portas”.

É sintomático que os Dominicanos nunca tenham submetido suas Constituições à aprovação papal, o que nós permite modificá-las de acordo com as novas circunstâncias. Vale ressaltar também outra característica singular da Ordem, o princípio da dispensa, o que nos permite valorizar os carismas pessoais sem que ninguém se sinta obrigado a fazer o que todos os demais estão fazendo. Em suma, a espiritualidade dominicana faz da vida comunitária o meio pelo qual nos personalizamos na dinâmica do amor, que nos descentraliza em Deus e no próximo.

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