Gabriel Silva

DOMINGOS PREGADOR DA GRAÇA

In Espiritualidade on 31/03/2009 at 11:57

DOMINGOS PREGADOR DA GRAÇA
SELECÇÃO DE TEXTOS PARA NOS AJUDAREM NAS NOSSAS REFLEXÕES
1. O objectivo da Ordem
Possivelmente perguntarão por que motivo preferimos restabelecer uma Ordem antiga e não optámos por fundar uma nova. A Ordem não tem nada de antigo, para além da sua história, e não faria sentido escolhê-la meramente pela satisfação de a referenciar com o passado.
Questões:
1. Temos feito nossa a “continua recognitio”, a vocação própria da Ordem (LCO 1 §VII) tanto no âmbito pessoal como no comunitário?
2. Quantas vezes pensamos na “renovação da Ordem” com nostalgia “arqueológica?

S. Domingos assume a missão do Verbo
Ele assume a missão do Verbo Unigénito, meu Filho. Directamente no mundo aparecia como um apóstolo, com tanta verdade e luz semeava a minha palavra abandonando as trevas e dando a luz. Ele foi uma luz que eu dei ao mundo por meio de Maria, posto no Corpo Místico da Santa Igreja… Por que motivo disse “por meio de Maria”? Porque Maria lhe deu o hábito, encomendando-lhe o ofício a partir da minha bondade? (Trad. Catarina de Sena, O Diálogo, cap. 158, II).
Questões:
1. Estamos conscientes de sermos “enviados”, “Ai de nós se não pregássemos”? (cf 1 Cor. 9,16).
2. Estamos conscientes de termos recebido um dom por intermédio de Maria?
3. Somos semeadores que se identificam com a semente até estarmos dispostos a dar a nossa vida por Jesus?

A missão da Ordem no tempo
Vós, Dominicanos, tendes a missão de proclamar que o nosso Deus está vivo, que Ele é o Deus da vida e que em Deus existe a raiz da dignidade e a esperança da humanidade que está chamada à vida… As vossas Constituições dão prioridade ao ministério da palavra em todas as suas formas orais e escritas e o vínculo entre o ministério da palavra e o dos sacramentos é a sua coroação. (João Paulo II, Alocução ao Capítulo Geral dos Frades Pregadores celebrado em Roma, Actas 1983, pp.190-199).

Questões:
1. A nossa pregação é o “bom anúncio” da “vida nova em Cristo Jesus” ou somente a denúncia do “mal do mundo”?
2. Quem nos ouve é ajudado a desejar o encontro com Jesus “o Filho de Deus vivo”?

S. Domingos e a graça da pregação
A luz de um santo é evidentemente maior que a obra da sua vida. A graça de Domingos ilumina muito mais que a Ordem que ele fundou, situando-se deliberadamente ao serviço de toda a Igreja, in medio Ecclesia… O segredo da graça da pregação entende-se talvez melhor naquilo que nos refere um testemunho do processo de canonização de Bolonha e que é como um convite: “Pelo contrário, S. Domingos sempre falava de Deus ou com Deus e é de Deus que fala às pessoas que se juntam a ele no caminho”.(Trad. Bedouelle Guy, Dominique ou la grace de la Parole, Fayard Marne, 1982).

Questões :
1. S. Domingos queria que os seus filhos fossem « cooperadores da ordem episcopal”. A nossa pregação é uma pregação “in medio Ecclesiae”?
2. Sabemos ser pregadores “sempre” com todos no dia a dia?

S. Domingos e a compaixão
Deus dotou-o com uma graça especial de pregador para os pecadores, os pobres e os aflitos: ele consolou a sua dor no santuário mais profundo da sua compaixão e as lágrimas que derramou e que brotaram dos seus olhos mostraram o sentimento ardente que o queimava por dentro. (Trad. Jordão de Saxe, Libellus, MOPH XVI,12)

Questões:
1. Somos mais acusadores daquele que erra ou procuramos oferecer-lhe uma prova de estima mais profunda que facilite uma experiência de comunicação e de comunhão?
2. A fragilidade do trabalho dos outros suscita em nós mais indignação ou compaixão; na prática, percebemos mais o mal que cometeu ou o sofrimento que o pecador causou a si próprio?

A Caridade e o Companheirismo de S. Domingos
Todos estavam incluídos no amplo abraço da caridade e enquanto ele amava a todos, todos o amavam… outra coisa que o tornava tão atraente para todos era a sua franqueza; nunca havia um indício de engano ou hipocrisia em algo que dissesse ou fizesse. (Jordão de Saxe, Libellus, MOPH XVI, 107)

Questões:
1. A nossa sinceridade é doce e misericordiosa?
2. Procurámos alguma vez compreender “as nossas segundas intenções”?
3. Estamos dispostos a assinalar sempre e antes de mais os aspectos positivos das situações que vivemos ou somos os enésimos “mestres da desconfiança”?

Prouille: a contemplação como fonte da pregação e da sua renovação
Prouille: lembra que todo o renascimento, toda a renovação da Ordem passa pela oração coral e pela contemplação, pelo estudo amorosa da Palavra e vida fraterna. Oitocentos anos não se celebrariam se não se procurasse reencontrar o gosto pelo estudo em comum, a oração e a vida comum, a contemplação como fontes da pregação”.(Trad. ASPIROZ COSTA Carlos A., Prefácio do livro Sainte Marie de Prouille, 800 ans d’ Histoire Dominicaine, 1206-2006, ed. Du Signe, Strasburgo. P.5)

Questões:
1. No nosso ritmo de vida quotidiana, quanto tempo reservamos à contemplação? Em que medida estamos afectados pelo “activismo”?
2. Sabemos permanecer na expectativa de que o Senhor “nos abra as sendas da pregação” ou queremos ser sempre nós os protagonistas, acabando por nos pregarmos a nós próprios?

S. Domingos e as Escrituras
O irmão João de Espanha disse que o irmão Domingos frequentemente motivava e exortava os frades da Ordem mediante a sua palavra e as suas cartas para sempre estudaram o Novo e o Antigo Testamento… Domingos trazia sempre consigo o Evangelho de S. Mateus e as cartas de Paulo e estudava-as muito, de tal modo que quase as sabia de cor.(Trad. Actas da Canonização de S. Domingos, MOPH XVI, Bolonha 29).

Questões:
1. Pregamos a Palavra de Deus ou as nossas “belas ideias”, os nossos medos ou a nós mesmos?
2. A nossa meditação da Palavra de Deus é preparada a partir de um estudo sério da Palavra de Deus ou é antes de mais improvisada?

A paixão da Palavra
É necessário coragem e tenacidade para se continuar a anunciar o Evangelho num mundo que é hostil. Tem-se por vezes o sentimento de perder o tempo e de não obter nenhum resultado. Domingos nunca cedeu a estas tentações. Pelo contrário, não deixava passar a oportunidade de anunciar a Palavra de Deus e exortava os seus irmãos a fazerem o mesmo. (Trad. Quillici Alain “En suivant un Maître spiritual », Revue du Rosaire, Julho – Agosto 2003 ; p. 21).

Questões :
1. Vivemos resistindo a pregar integralmente o Evangelho?
2. Procuramos meios de pregação adequados às novas tecnologias da comunicação
3. Sentimo-nos “inúteis pregadores no deserto” ou, antes, “enviados”?

A leitura da Palavra de Deus
Entre os métodos da vida espiritual que S. Domingos praticou, existe um que ele tomou da grande tradição monástica e que é a leitura meditada da Palavra de Deus, a que se chama Lectio Divina. Esta consiste em ler uma página do Antigo ou do Novo Testamento, não como um texto no meio de tantos outros, mas como sendo a Palavra de Deus. Lendo o texto, colocamo-nos numa atitude de escuta de Deus que nos chama. (Trad. Quillici Alain, “En suivant un Maître spirituel », La Revue du Rosaire, Julho – Agosto, 1983, p. 22)

Questões:
1. Pregamos mais aquilo que sabemos ou comunicamos uma experiência espiritual (“Contemplari et contemplata allis tradere”, não studere et scita allis tradere
2. Temos medo de comunicar a nossa experiência de Fé num colóquio comunitário, num encontro de grupo?
3. Fizemos alguma vez a Lectio Divina? Seríamos capazes de lhe dar alma?

O início dos Frades
Apareceu como apóstolo no mundo e salvou a semente da minha palavra, com grande verdade e luminosidade, dissipando a obscuridade e trazendo a claridade… Em que mesa alimenta os seus filhos e filhas com a luz da ciência? Na mesa da Cruz que é a mesa do desejo divino… Domingos não deseja que os seus filhos e filhas se dediquem a nada mais senão permanecerem nesta mesa, para buscarem com a luz da ciência a glória e o louvor do meu único nome e da salvação das almas… Assim a sua religião é um jardim delicioso, amplo e extenso, gozoso e com bom odor.(Trad. Catarina de Sena, O Diálogo, cap. 158, II. 476-527).

Questões:
1. S. Domingos é muitas vezes representado de joelhos aos pés da cruz. Para nós é também a cruz “a mesa do desejo divino”?
2. Para S. Tomás de Aquino (Suma Teol. III, 46,3;49,1) a paixão de Cristo é também em primeiro lugar um “convite à caridade”, uma “provocação (ad diligendum Deum; ad caritatem). Sabemos vivê-la e pregá-la como a “mais abundante misericórdia” do Pai? (Suma Teol. III, 46,1,3m).

Pobreza, o pobre e a pregação
A opção pela pobreza e pelo pobre era para S. Domingos algo muito mais profundo que uma escolha moral. Era para ele a revelação do verdadeiro rosto da Igreja e da sua pregação. Domingos descobria que a pregação faz a Igreja e a Igreja a pregação. Descobria que uma pregação segundo o Evangelho reúne na Igreja os filhos de Deus dispersos. (Trad. WALSH Liam, Lumière pour l’Eglise, IDI, Junho 2006, n. 443p. 172/b).

Questões:
1. A escolha da pobreza voluntária “ou Deus ou o dinheiro” (Mt.6,24) é o “primeiro fundamento para adquirir a perfeição na caridade” (Suma Teol. II,II, 186,3). Estamos convencidos disto?<
2. A nossa pregação dirige-se em primeiro lugar aos “dispersos”, aos que estão longe ou ao nosso pequeno rebanho pessoal?

Novos lugares de pregação
A nossa missão não tem fronteiras, é uma missão ad gentes que nos coloca perante algumas urgências. É fundamental perguntarmo-nos não somente o que é que a Ordem nos pede mas também o que é que a sociedade e a Igreja esperam de nós. Onde é que se encontram hoje as fronteiras de divisão da humanidade? Quais são os areópagos (lugares) onde devemos pregar?(Trad. AZPIROZ COSTA Carlos A, Relatório do Mestre da Ordem, Actas do Cap. de Bolonha, Apêndice n. 52)

Questões:
1. A nossa vida religiosa que admite uma certa “separação”, permite-nos assumir melhor as exigências mais profundas da actualidade?
2. Sabemos pronunciar palavras de consolação ou somente de “denúncia” ou, pior ainda, de “condenação”?

In IDI, n. 468, Janeiro de 2009 – Tradução de fr. José Geraldes, o.p.

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